segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

ORÍGENES - Iniciação à Prece

Orígenes foi um teólogo do período patrístico, nascido em Alexandria no ano 185 e vindo a falecer em Tiro no ano 253. Ele é um dos Padres da Igreja, e considerado o pai da exegese bíblica, por ter comentado todos os livros da Sagrada Escritura, onde distinguiu os três sentidos fundamentais do texto, o sentido espiritual, o moral e o literal, que fez corresponder à constituição do homem, composto de espírito, alma e corpo. Neste texto ele explana brevemente a respeito da oração.


 
INICIAÇÃO À PRECE


Meios para orar como se deve

Penso que aquele que ora como se deve, ou desperta suas boas disposições, receberá disto um grande benefício. E, em primeiro lugar, quem de dedica à oração se dispõe a ela colocando-se na presença de Deus, e conversa com ele como a alguém que está próximo e escuta. Existem imagens e lembranças que invadem e perturbam a imaginação e o espírito; ao contrário, é benéfico lembrarmo-nos do Deus no qual acreditamos, que toca os movimentos mais secretos de nossa alma, atenta em agradar a esta Presença que a vê, que sonda os rins e perscruta o coração.

Admitamos agora que aquele que dispõe dessa maneira seu coração para a prece não retirará desta outro fruto, pois esta disposição espiritual para a prece já constitui por si só um benefício real. Quantas faltas ela evita, quantas ações boas provoca, sabem-no os que já fizeram a experiência da prece contínua. Se somente o exemplo de um home ilustre e sábio é capaz de nos levar a imitá-lo e pode nos deter numa vertente escorregadia, quanto mais o pensamento de Deus, nosso Pai comum, unido à prece, não virá em socorro dos que sabem estar na presença de um Deus, a quem eles se dirigem, e que os vê e os escuta?

A Escritura confirma o que expusemos aqui. Quem ora deve “erguer ao céu as mãos puras”, perdoar as faltas aos outros, mesmo aquelas contra si próprio, e banir de seu coração todo sentimento de cólera ou rancor. Deve desembaraçar seu espírito no momento da prece, de toda preocupação estranha ou que não se relacione com a prece. Que fonte de bem-estar! Paulo nos ensina em sua primeira carta a Timóteo: “Quero que por toda parte os homens orem e ergam aos céus as mãos puras, sem ódios nem disputas[1]”.

O profeta Davi fala de diversas outras disposições que o justo deve trazer à oração. Não hesitamos em citar suas próprias palavras, a fim de trazer à luz a utilidade dessa preparação à prece para quem se confia a Deus, mesmo que não extraia daí nenhum outro benefício. “Para você voltei meus olhos, a você que habita os céus[2]”. E: “A você elevo minha alma, Deus meu[3]”. Os olhos se erguem em espírito quando não estão percorrendo os bens da terra, ofuscados por eles; que eles se elevam, então, a tamanha altura que possam contemplar apenas a Deus e com ele conversar humildemente e com modéstia.

Não estarão tais olhos satisfeitos por haver contemplado sem véus a glória de Deus, por haver sido transfigurados por esta mesma imagem, mais e mais resplendente[4]? Eles a receberam como um raio da inteligência divina, conforme está escrito: “Você ergueu sobre nós a luz de sua face, Senhor[5]”.

A alma elevada que segue o Espírito e se separa do corpo, não apenas segue o Espírito, mas nele habita, como está escrito: “A você elevo minha alma[6]”.  Não deixa esta alma a sua condição para se tornar espiritual?

O perdão das injúrias é o maior ato da virtude, a ponto de resumir em si toda a lei, segundo o profeta Jeremias: “Eu nada ordenei a seus pais em sua saída do Egito. Mas eis o que eu lhes ordeno: que cada um perdoe a seu próximo em seu coração[7]”. Se nós nos dispomos à prece pelo perdão, guardamos o mandamento do Salvador: “Se vocês estiverem prontos para a prece, perdoem seja lá o que tiverem contra seja lá quem for[8]”. Ao fazermos isto, já teremos adquirido o maior de todos os bens.

Falo sempre partindo da hipótese de que o único fruto de nossa prece consiste em aprender como orar e como agir em decorrência. É claro que quem ora deste modo, que confia no poder daquele a quem invoca, enquanto fala ouvirá dizer: “Estou aqui” – com a condição de ter descartado antes de orar toda e qualquer objeção contra a providência. Este é o sentido das palavras: “... Se você eliminar de si as cadeias, os gestos de ameaça e toda palavra de murmuração[9]”.

Aquele que aceita os acontecimento tais como eles são, está, de fato, livre de todas as cadeias; este não levanta a mão ameaçadora contra Deus, que conduz todo nosso progresso. Ele não murmura no secreto do seu coração quando não pode ser ouvido pelos homens. Esta murmuração caracteriza os maus servidores, que não ousam criticar abertamente as ordens de seu mestre; eles grunhem surdamente em segredo contra os acontecimentos da providência, como se quisessem dissimular ao Senhor do universo o objeto de seu descontentamento.

Este é, em minha opinião, o sentido do que está escrito em Jó: “Em meio a todas as suas infelicidades, Jó não pecou com os lábios diante de Deus[10]”. Dele foi dito antes de sua provação: “Em tudo isso Jó nunca pecou diante de Deus[11]”. O Deuteronômio diz a mesma coisa: “Cuidado para não surpreender no secreto de seu coração um propósito mesquinho, dizendo: o sétimo ano está próximo”, etc.[12].

O mundo de Deus assiste àquele que ora

Aquele que ora desta maneira, além de outros benefícios, se torna mais digno de se unir ao Espírito do Senhor, que preenche o universo, a terra e o céu de que fala o profeta: “Acaso não preencho os céus e a terra?[13]”.

Ademais, a purificação de que falamos permite participar da prece do Verbo de Deus, que se mantém mesmo em meio daqueles que o ignoram, que não fecha os ouvidos a nenhuma prece, e pede a seu Pai junto daquele de quem ele é mediador. O Filho de Deus é, com efeito, o grande sacerdote de nossas oferendas, nosso advogado junto a seu Pai[14]. Ele ora por aqueles que oram, ele pede pelos que pedem. Mas ele recusa essa assistência fraterna aos que não rezam a ele com assiduidade. Ele não considera como sua a causa dos que negligenciam seu preceito: “É preciso orar sempre, sem jamais desencorajar[15]”.

Nós lemos no Evangelho: “Ele lhes disse ainda uma parábola para mostrar que é preciso orar sem nunca relaxar: Numa cidade havia um juiz, etc.[16]”. E um pouco além: “Se um de vocês tiver um amigo que vá procurá-lo no meio da noite e que lhe diga: Amigo, dê-me três pães, pois um de meus amigos chegou de viagem e eu nada tenho para lhe oferecer[17]”. E mais adiante: “Eu lhes digo: mesmo que ele não se levante para lhe dar como amigo, ele se levantará ao menos por causa da importunação e lhe dará aquilo de que ele precisa[18]”.

Quem crê na infalível palavra de Jesus não deixará de se convencer a orar com insistência ao ouvir estas palavras: “Peçam, e lhes será dado, pois quem pede, recebe[19]”. O Pai que é bom dá o pão vivo aos que lhe pedem, e não a pedra que o diabo apresentou como alimento a Jesus e a seus discípulos, aos que receberam do Pai o espírito de adoção. O Pai concede o que é bom e faz chover do céu sobre aqueles que pedem[20].

Orar sem cessar

A prática da virtude e a fidelidade aos preceitos fazem parte integrante da prece; ora sem cessar aquele que une a prece à ação e a ação à prece: esta é a única maneira de “orar sem cessar”. Isto equivale a considerar toda a vida do santo como uma longa e ininterrupta prece, da qual aquilo a que chamamos habitualmente de “oração” representa apenas uma parte.

Esta última deve se renovar ao menos três vezes por dia, a exemplo de Daniel, o qual, três vezes ao dia, se punha em oração, no momento em que o ameaçava um grande perigo[21]. Também Pedro subia ao terraço, por volta da hora sexta, para orar. A visão da grande toalha segura pelos quatro cantos e que descia até o chão, marcou a segunda destas três orações[22]. Antes dele, Davi fazia alusão a isto: “Desde a manhã você ouve minha voz, desde a manhã eu me coloco diante de você e aguardo[23]”. Temos ainda uma alusão à terceira dessas orações na passagem: “Eu ergo minhas mãos como um sacrifício ao entardecer[24]”. Mesmo à noite não passamos sem orar, pois Davi nos diz: “No meio da noite eu me levanto para confessá-lo, por causa dos julgamentos de sua justiça[25]”. Os Atos dos Apóstolos igualmente reportam que Paulo, em Filipeia, “no meio da noite orava e cantava louvores a Deus junto com Silas; e os demais prisioneiros os escutavam[26]”.

O próprio Jesus orava e não o fazia em vão, pois obtinha o que pedia em sua prece, coisas que talvez não obtivesse sem orar. Assim, quem de nós poderá se permitir não orar? Com efeito, é Marcos que nos ensina: “Na manhã seguinte, ainda escuro, ele se levantou, saiu e se dirigiu a um lugar solitário, e lá se pôs a rezar[27]”. E Lucas, por sua vez: “Um dia, num dado lugar, Jesus estava em oração. Ao terminar, um dos discípulos lhe disse...[28]”. E em outra parte: “Ele passou a noite orando a Deus[29]”. Eis como João descreve sua oração: ”Assim falou Jesus; depois, erguendo os olhos ao céu, ele disse: Pai, chegou a hora, glorifique a seu Filho a fim de que seu Filho o glorifique[30]”. E também esta palavra: “Eu sei que você me atende sempre[31]”, pronunciada por Jesus e conservada pelo Evangelista, mostra bem que aquele que ora sempre é sempre atendido.

O que devemos pedir

Meditemos na seguinte palavra: “Peçam as grandes coisas e as pequenas lhes serão dadas por acréscimo; peçam os bens do céu e os da terra serão concedidos a mais”. Todas as imagens e todas as figuras comparadas à realidade dos bens verdadeiros e espirituais são débeis e prosaicas. Ora, o Verbo de Deus que nos exorta a imitar a prece dos santos, a fim de que peçamos em sua realidade aquilo que ele obtiveram em imagem, nos lembra que os bens celestes e importantes são representados por valores terrestres e modestos. Como se dissessem: vocês querem ser espirituais?

Peçam em suas orações os bens do céu e como consequência, tendo-os recebido, vocês herdarão o reino dos céus; tornados grandes, vocês desfrutarão de bens ainda maiores. Quanto aos bens da terra e cotidianos, dos quais vocês precisam para suas necessidades corporais, o Pai os concederá a vocês por acréscimo, na medida do necessário.

As quatro formas de oração em São Paulo

Na primeira carta a Timóteo, o Apóstolo utiliza quatro palavras que caracterizam as quatro formas de oração. Vamos citar o texto para ver se entendemos bem os quatro termos: “Eu recomendo acima de tudo que façamos súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens[32]”.

Em minha opinião, a súplica é a prece daquele que pede com insistência para obter aquilo de que necessita. A prece propriamente dita parte de um sentimento mais nobre, ela glorifica a Deus e seu objeto é mais elevado. A intercessão supõe uma maior confiança da parte daquele que se dirige a Deus. A ação de graças consiste na gratidão, unida à prece pelos bens comuns; ela pretende expressar a grandeza do benefício aos olhos do beneficiário, ou expõe ao benfeitor a grandeza de sua benevolência.

Ø  Exemplos de súplica

Como exemplo da primeira forma, podemos citar as palavras de Gabriel a Zacarias, que havia pedido a Deus o nascimento de João. O anjo lhe disse: “Não tema, Zacarias, sua súplica será atendida; sua esposa Isabel lhe dará um filho, a quem você chamará João[33]”.

Vejam também o que está escrito no Êxodo, a propósito do bezerro de ouro: “Moisés suplicou ao Senhor Deus e disse: Porque você se encolerizou, Senhor, contra seu povo que você fez sair do Egito com seu grande poder?[34]”. No Deuteronômio: “Eu supliquei pela segunda vez ao Senhor, como da primeira: durante quarenta dias e quarenta noites, não comi pão nem bebi água, por causa de todos os pecados que vocês cometeram[35]”. No Livro de Ester: “Mardoqueu suplicou a Deus, lembrando-se de todas as obras do Senhor, e disse: Senhor, Senhor, rei todo-poderoso![36]”. A própria Ester “suplicava ao Senhor Deus de Israel, dizendo: Senhor, nosso rei![37]”.

Ø  Exemplos de prece

Encontramos a prece propriamente dita em Daniel: “Azarias, em pé, orou assim, com aboca aberta, no meio do fogo, e disse...[38]”. E Tobias: “Eu orei com dor, dizendo: Senhor, todas as suas ações, todos os seus caminhos são misericórdia e verdade. Seu julgamento é sempre justo e verdadeiro[39]”. A passagem citada de Daniel está riscada pelos judeus, porque não se encontra na versão hebraica, visto que eles rejeitam o Livro de Tobias como não sendo canônico; mencionarei então as palavras de Ana no Primeiro Livro de Reis: “Ela orou ao Senhor e chorou com muitos soluções: Senhor dos exércitos, disse ela, se lhe agradar, veja a aflição de sua serva, etc.[40]”.

Lemos em Habacuque: “Prece de Habacuque, o profeta, com cântico. Senhor, eu escutei sua voz e tive medo. Senhor, eu refleti sobre suas obras e fiquei aterrorizado. Você será reconhecido entre seus dois animais; você será reconhecido quando os anos se aproximarem[41]”. Este último exemplo mostra bem que a prece é uma invocação unida a um louvor.

Da mesma forma, no Livro de Jonas: “Jonas orou ao Senhor seu Deus, desde o ventre da baleia, e disse: De minha angústia eu clamei pelo Senhor e ele me respondeu; do seio do inferno, você escutou meus gritos. [42]Você havia me atirado no mais profundo coração dos mares, e as correntes me rodearam”.

Ø  Exemplos de intercessão

Eis agora um exemplo da terceira forma de prece. O Apóstolo atribui a prece a nós e a intercessão ao Espírito, que é mais poderoso e que tem a confiança de Deus, a quem ele se dirige: “Nós não sabemos como orar; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que perscruta os corações conhece os pensamentos do Espírito; ele sabe que este intercede conforme a Deus em favor dos santos[43]”. O Espírito intercede com insistência, mas somos nós que oramos.

Podemos também apelar pela intercessão na prece que Josué fez para deter o sol diante de Gabaon: “Então Josué falou com o Senhor, no dia em que Deus entregou o Amorreu à mercê dos filhos de Israel, quando ele os destruiu em Gabaon, e eles foram destruídos diante dos filhos de Israel. E Josué disse: Sol, detenha-se sobre Gabaon, e a Lua sobre o vale de Ebrom[44]”.

Em Juízes, me parece, Sansão intercedeu quando disse: “Morra minha pessoa junto com os Filistinos[45]”, e derrubou as colunas de tal maneira que a casa caiu sobre os chefes e sobre todo o povo que ali se encontrava. A Escritura não diz explicitamente que Josué e Sansão “intercederam”, mas que eles “disseram”. Mas interpretando o texto, vemos que suas palavras equivaleram a uma intercessão.

Ø  Exemplos de ação de graças

Temos uma ação de graças das palavras de nosso Senhor: “Eu lhe dou graças, meu Pai, Senhor do céu e da terra, por haver escondido essas coisas aos sábios e aos hábeis e as tenha revelado aos pequeninos[46]”. O verbo “eu confesso” é aqui o equivalente a “eu agradeço”.

Todas essas formas de prece devem ser dirigidas de preferência a Cristo

Podemos até dirigir aos santos nossas súplicas, intercessões e ações de graças; estas duas últimas se dirigem não apenas aos santos, mas até aos homens. A súplica só é empregada em relação aos santos, a Pedro e Paulo, por exemplo, para que eles nos tornem dignos de receber o poder que lhes foi conferido de perdoar os pecados. Mas se por acaso nós ofendemos a alguém que não seja um santo, podemos, desde que tenhamos consciência disto, pedir a ele que perdoe nossa ofensa.

Se podemos dirigir aos santos todas essas formas de prece, com maior razão, devemos dar graças a Cristo, que, pela vontade do Pai, nos cumulou com tantos benefícios! Devemos também usar a intercessão como Estevão: “Senhor, não lhes impute este pecado[47]”, e imitar a prece do pai do endemoniado, que pedia: “Senhor, eu lhe suplico, tenha piedade de meu filho[48]”, ou de mim, ou de qualquer outro.

Os bens do céu e os bens da terra

Pedir a Deus bens terrestres e fúteis equivale a desobedecer aquele que nos ordenou que lhe pedíssemos os bens do céu, os bens de valor, e desdenhar de pedir o que é terrestre e fútil. Alguém poderá objetar aqui que Deus concede bens materiais a seus santos, em razão de suas preces, ou lembrar a palavra do Evangelho, em que os bens terrestres e secundários são prometidos em acréscimo. Eis minha resposta.

Quando alguém nos dá um objeto material, não podemos dizer que ele nos dá a sombra deste objeto (pois ele não teve a intenção de nos dar duas coisas separadas, o objeto e sua sombra, mas acontece que a sombra segue necessariamente o objeto que nos foi dado); da mesma forma, se considerarmos com um pouco de elevação as graças importantes que Deus nos concede, poderemos dizer que os bens materiais são como a sombra que, para os santos, acompanha as graças espirituais, imensas e celestes, para seu benefício e segundo as disposições de Deus. O Senhor age sempre com sabedoria, mesmo se não conhecemos o móvel de cada um de seus dons.

Não deve nos espantar que aqueles que recebem os bens que, por assim dizer, projetam tais sombras, não obtenham todos forçosamente uma sombra idêntica, e que alguns sequer recebam sombra alguma. Os que estudam observam o mesmo fenômeno nos objetos. Os quadrantes solares em certos momentos não projetam nenhuma sombra, enquanto que em outros a sombra se retrai ou se alonga. Não devemos nos espantar que a sabedoria divina, que nos concede os bens mais preciosos, decida, por razões misteriosas que nos escapam, segundo as circunstâncias e as disposições de quem os recebe, fazê-los acompanhar de sombra alguma, ou, para uns, de uma sombra maior, e para outros de uma sombra menor.

Quem busca os raios benéficos do sol, uma vez que os encontra já não se inquieta com a sombra, porque já encontrou o que buscava, o essencial. Que lhe importa a presença ou a ausência de sombra? OU se a sombra é mais longa ou mais curta? O mesmo acontece conosco: se possuímos os bens espirituais, se somos iluminados por Deus sobre os meios de adquirir as verdadeiras riquezas, pouco nos importa uma coisa tão fútil como uma sombra. Todos os bens da terra, todos os encantos do corpo não representam mais do que uma sombra ligeira e fugidia, comparada com as riquezas da salvação e da santidade, concedida pelo Deus do universo. Como comparar os bens materiais com “as riquezas da palavra e da ciência[49]”? Qual homem, a menos que perca a razão, colocaria numa balança a saúde do corpo ligado à carne aos ossos com a saúde do espírito, a força da razão e a liberdade de julgamento? Todos os sofrimentos do corpo não representam sequer uma picada, e até menos, ante a luz de Deus.

Devemos orar para obter os bens essenciais e verdadeiramente grandes, os bens do céu; devemos deixar a critério de Deus dispor as sombras que nos acompanham, pois ele sabe do que temos necessidade, antes mesmo que lhe peçamos.


[1] I Timóteo 2: 8.
[2] Salmo 123: 1.
[3] Salmo 25: 1.
[4] II Coríntios 3: 18.
[5] Salmo 4: 7.
[6] Salmo 25: 1.
[7] Jeremias 7: 22-23; Zacarias 7: 10.
[8] Marcos 11: 25.
[9] Isaías 58: 9.
[10] Jó 2: 10.
[11] Jó 1: 22.
[12] Deuteronômio 15: 9.
[13] Jeremias 23: 24.
[14] Cf. I João 2: 1.
[15] Lucas 18: 1.
[16] Lucas 18: 1-6.
[17] Lucas 11: 5-6.
[18] Lucas 11: 8.
[19] Mateus 7: 7-8.
[20] Mateus 7: 11; Levítico 11: 13.
[21] Daniel 6: 10.
[22] Atos 10: 9-10.
[23] Salmo 5: 3.
[24] Salmo 141: 2.
[25] Salmo 119: 62.
[26] Atos 16: 25.
[27] Marcos 1: 35.
[28] Lucas 11: 1.
[29] Lucas 6: 12.
[30] João 17: 1,
[31] João 11: 42.
[32] I Timóteo 2: 1.
[33] Lucas 1: 13.
[34] Êxodo 32: 11.
[35] Deuteronômio 9: 18.
[36] Ester 13: 8.
[37] Ester 14: 3.
[38] Daniel 3: 25.
[39] Tobias 3: 1-2.
[40] ! Reis 1: 10-11.
[41] Habacuque 3: 1.
[42] Jonas 2: 2-4.
[43] Romanos 8: 26-27.
[44] Josué 10: 12.
[45] Juízes 16: 30.
[46] Lucas 10: 21.
[47] Atos 7: 60.
[48] Lucas 9: 38.
[49] I Colossenses 1: 5.

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